MMA feminino ainda engatinha para ganhar o espaço que merece nos grandes eventos, mas conquistou o respeito e a atenção de fãs e críticos graças as mãos rápidas e chutes potentes da curitibana Cristiane dos Santos, a Cyborg.
Apesar de ser a campeã do maior evento entre os poucos que promovem lutas entre mulheres, o Strikeforce, a brasileira temida pelo muay thai aguardou 15 meses até, enfim, encontrarem uma desafiante, a japonesa Hiroko Yamanaka. “O MMA feminino ainda tem muito a crescer e o evento estava com dificuldade em achar uma oponente”, admitiu a lutadora ao blog MMA Por Dentro da Arena.
O tempo de geladeira aconteceu justo depois de o Strikeforce ter sido comprado pela Zuffa, mesma acionária do UFC. Todos sabem que um dos donos do UFC, o cartola Dana White, não vê com bons olhos o MMA feminino. Mas Cris Cyborg prefere ser otimista quanto ao futuro dela nesse esporte. “O Strikeforce ajudou muito no crescimento do MMA Feminino. Eu acho que a Zuffa vai manter o MMA Feminino e acho que as coisas vão mudar pra melhor já que o UFC é o maior evento do mundo”, aposta.
Se o UFC puser um fim aos duelos entre moças do Strikeforce, novas portas se abrirão, pensa Cris. “Dana white pode acabar com o MMA feminino no evento dele, mas não no mundo, sempre vão aparecer outros eventos dando oportunidades para as mulheres.”
Ser uma pioneira do esporte mais viril que existe parece ser mesmo para poucas. E esse é justamente um dos problemas para a aceitação do MMA entre mulheres no UFC, na visão de Cris. “O MMA Feminino está em fase de crescimento. Ainda não tem muitas meninas tão boas quanto os homens e o número de lutadoras é muito pouco, pode ser que agora Dana White não tenha interesse, mas futuramente acho que isso pode mudar. Isso depende de nós lutadoras continuarmos persistindo fazendo boas lutas”.
Quando Cris Cyborg encontrar com Yamanaka no Strikeforce do dia 17 de dezembro, em San José, na Califórnia, Estados Unidos, terá uma missão árdua, talvez a mais dura da carreira iniciada em maio de 2005. Naquele ano ela estreou em um evento nacional e conheceu a única derrota de 11 lutas até aqui ao sucumbir a uma chave de joelho.
Daqui a um mês e meio, vai encontrar o mesmo perigo de ser finalizada. A japa, por ora, tem uma derrota em treze combates e é especialista em submissão ranqueada a décima melhor entre todas as categorias e peso pelas mídias voltadas a lutadoras. Cris sabe que vai ser uma tarefa amarga. “Vou usar as mesmas armas de todas minhas lutas e estarei muito preparada. Manterei seriedade e buscarei a luta o tempo todo Eu acredito que vai ser uma luta agitada, minha adversária tem um bom cartel e acredito que vai estar preparada”, calcula a atleta.
Cris Cyborg costuma travar combates épicos. Um deles, contra a musa norte-americana Gina Carano, é até hoje uma das cinco maiores audiências da história do Strikeforce