Mesmo tendo perdido as 3 últimas lutas que disputou, o americano Chuck Lidell é com certeza um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos.
Longe de repetir a perfeita performance como quando digladiou contra Ortiz, Couture e Baballu, Chuck Lidell deu adeus ao mundo das lutas depois de uma infeliz sequência de resultados negativos… um momento! Como assim?
Você deve estar se perguntando por qual motivo eu comecei um artigo sobre Chuck Lidell falando de suas últimas derrotas. Não há motivos. A verdade é que nem tudo é felicidade, apenas optei por começar pelo lado “negativo” e terminar com o positivo, em memória a sua carreira vitoriosa.
Charles David Lidell, é o nome do monstro do UFC, da máquina de nocautes de temperamento singular, frio, também conhecido como “The Ice Man”.
Nascido em Santa Barbara, Califórnia, Lidell começou no MMA em 1998, no UFC 17, contra Noe Hernandez. Depois de 12 minutos ininterruptos de combate, Chuck venceu por decisão unânime.
Muita gente não sabe, mas a segunda luta do americano foi aqui no Brasil, em São Paulo, e Lidell venceu um dos maiores ídolos do MMA nacional: José “Pelé” Landi-Jons, em um duelo antológico de 30 minutos de duração. Depois de perder o duelo seguinte, para o imortal Jeremy Horn, Chuck Lidell iniciaria uma sequência de 10 vitórias seguidas que mudaria sua vida.
Das 10 lutas, apenas 3 não foram no UFC. Dentre os nomes mais expressivos que Lidell despachou, estão: Jeff Monson, no UFC 29, Kevin Rendleman, no UFC 31, e os brasileiros Murilo Bustamante, Vitor Belfort e Renato Sobral, nos UFC 33, UFC 37.5 e UFC 40, respectivamente. Dentre esses resultados positivos, ressalta-se o nocaute em cima de Kevin Rendleman e o certeiro “head-kick” em Sobral, que ficou marcado na história do MMA para sempre.
Tantas vitórias expressivas lhe rendeu a chance de disputar o cinturão interino da categoria dos meio-pesados do UFC, contra Randy Couture, em sua edição de número 43. Infelizmente aquela não era a noite de Lidell, e na metade do terceiro round Couture liquidou a fatura com uma série de socos, impedindo o “Homem de Gelo” de anotar sua décima primeira vitória seguida.
Quase 1 ano longe do UFC, Chuck voltou depois do revez para lutar contra aquele que seria um de seus maiores rivais no Ultimate: Tito Ortiz, que também vinha de derrota para Randy.
Mesmo com Ortiz vindo de 6 vitórias nas últimas 7 lutas, “The Huntington Beach Bad Boy” não conseguiu impor nem metade de seu jogo, e depois de ser atropelado no primeiro round não suportou o mesmo ritmo na etapa seguinte e acabou sucumbindo nas patadas de Lidell.
Depois de bater Ortiz e Vernon White, Lidell ganhou novamente a chance de disputar o cinturão, novamente contra Randy Couture, no UFC 52. Desta vez não deu para o queridinho do UFC. Ainda na primeira etapa, antes da metade do round, Couture foi nocauteado por Lidell, que conquistou o desejado cinturão dos meio-pesados. Foi decretado ali, dia 16 de fevereiro de 2005, o início da era Lidell.
Os próximos 4 embates de Lidell seriam revanches, todos eles. Jeremy Horn, Randy Couture, Renato Sobral e Tito Ortiz, nesta sequência o “Homem de Gelo” bateu um por um, e detalhe: Todos por TKO, ou seja, forçando o juiz interferir a peleja após magoar agressivamente seus oponentes. Um detalhe interessante dessa parte da carreira de Chuck, foi quando ele bateu Sobral pela segunda vez e cogitaram uma terceira luta entre eles:
“Não (lutaria outra vez). Pra quê? Não tenho mais nada para provar!” – disse o brazuca, fugindo da peleja.
A história do maior nocauteador do UFC estava escrita, sua passagem nunca será esquecida, nem que alguém quebre a banca.
Como diria Chris, do seriado de TV: “Sacomé”… o tempo passou, os reflexos ficaram mais lentos e aquele que também era conhecido pelo queixo duro foi pego pelo tempo. As próximas 6 lutas do americano foram a sentença do fim, de seu afastamento. Foram 5 derrotas de peso. Quinton Jackson, Keith Jardine, Rashad Evans, Maurício Shogun e Rick Franklin, respectivamente, vencendo apenas o ídolo do Pride, o brasileiro Wanderlei Silva.
Com um cartel de 21 vitórias e 8 derrotas, o atleta preferido de Lorenzo Fertitta se aposentou do MMA no dia 13 de junho de 2010, após perder para Rich Franklin, no UFC 115.
Se mesmo com um pouco da história desse monstro você não consegue imaginar a magnitude de sua carreira, veja algumas de suas marcas:
– Hall da fama do UFC; – Mario número de nocautes (10) da história na categoria meio-pesada; – Maior número de nocautes (10) da história do UFC; – Maior número de vitórias (16) na categoria meio-pesada; – Considerado pelo Sherdog como lutador do ano de 2006; – Sua luta com Wanderlei Silva foi considerada como a luta do ano de 2007, pelo “Oscar do MMA”; – Considerado pela Spike TV como lutator mais perigoso de 2007.
Confira um vídeo com alguns dos melhores momentos da carreira deste ilustre atleta que vai deixar muitas saudades a nós, amantes do MMA.