O UFC fiasco

Coluna MMA Por Dentro da Arena publicada a cada 15 dias sempre às quartas-feiras no jornal O Globo:

Prometeram a luta do século, mas no fim entregarão o fiasco do ano. O UFC do próximo sábado, em Belo Horizonte, é como marcar um jantar com a Débora Secco, mas de repente quem aparece no restaurante é o Maguila. Difícil não se sentir enganado.

Pouco tempo atrás o poderoso-chefão do UFC, Dana White, não economizava palavras para divulgar o terceiro evento de sua liga de MMA no Brasil. Recapitulemos:

– Este será o maior espetáculo esportivo do ano. Maior que a NFL, que a NBA, pode escolher – o UFC 147 será maior. O mundo inteiro quer ver essa luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen. Somos exibidos para mais de 150 países em 22 idiomas diferentes em 1 bilhão de lares. Onde quer que estes fãs estejam, eles assistirão a esta luta, – dizia de boca cheia o dono de 10% do evento.

Pura lorota. Pressionado por cassinos de Las Vegas e se aproveitando de um vacilo da empresa do pretendente a trilionário Eike Batista, que é quem organiza os UFCs no Brasil, Dana mudou o local e data da revanche entre Sonnen e Anderson. O mandachuva do MMA usou o Rio + 20 como desculpa para tirar o duelo de ares épicos do Brasil. E o evento que seria num grande estádio carioca parou num ginásio em Belo Horizonte. Mas ainda havia esperança.

Mesmo com a perda irreparável da luta pela defesa do cinturão de Anderson, o UFC 147 ainda promoveria o confronto que tinha tudo para se tornar um clássico entre Wanderlei Silva vs Vitor Belfort. Dana ainda pensou em escalar o campeão peso pena José Aldo nesse evento. Isso remediaria um pouco a frustração dos fãs. Só que no fim o chefão do UFC preferiu deixar como estava. Meia boca mesmo.

Ai, para pesadelo de Dana e dos fãs brasileiros, a única luta de apelo com o grande público também é cancelada depois que Belfort quebra a mão e a banca do UFC 147. Sem a revanche entre ele e Wanderlei, o evento anunciou a devolução de ingressos aos que tinham comprado e se arrependido. Mico dos brabos, algo inédito na história do UFC.

A revanche entre os dois brasileiros agora está em xeque. Se Wanderlei for derrotado pelo americano Rich Franklin no evento conhecido como UFC BH, Belfort recusará a revanche com ele. Ouvi do lutador carioca o que segue abaixo:

– Meu desejo é lutar pelo cinturão. Quero lutas que me aproximem do cinturão. As pessoas ficam presas em lutas, eu não fico preso em lutas, eu quero o cinturão. Eu não tenho nada pessoal contra o Wanderlei, ele tem algo pessoal porque só perdeu, perdeu dentro da casa (a competição entre treinadores), perdeu no octógono, então não tenho nada pessoal contra ele. Agora, eu quero alguém que me leve para o cinturão e o histórico dele é de cinco derrotas nas últimas sete lutas. Se ele vencer o Rich Franklin tem a ver lutar com ele, mas se ele perder não tem nada a ver lutarmos. Ninguém quer lutar com perdedor.

Com um card debilitado e sem muitos nomes populares, o UFC BH aposta nos novos rostos do MMA nacional para não ser uma decepção total. Uma aposta arriscada, diga-se. Por mais que tenham aparecido para todo o Brasil no papel de astros do reality show do UFC exibido nos últimos três meses na Rede Globo, eles ainda não são populares a ponto de suas lutas sustentaram um evento.

Encarnado no papel de embaixador do UFC no Brasil, Belfort não perde a pose na hora de falar sobre o UFC BH:

– Acho que não caiu a qualidade do UFC 147. Esses garotos ai vão dar um show. O Brasil está acompanhando isso. Na verdade a cereja do bolo eram esses garotos. Desde o princípio eu falei que esses garotos eram as estrelas maiores desse evento. As novas caras do UFC no Brasil.

Ainda restam ingressos à venda para o evento. Alguém quer comprar?

A partir de hoje publico uma série de entrevistas no blog com os finalistas do reality show, além de Vitor Belfort. E aos que se perguntam se irei ao UFC 147, a resposta é sim, afinal, esse é meu trabalho.

 

Fonte Por Dentro da Arena

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