De longe parece até um senhor franzino sem força para fazer frente a alguém mais moço. Mais tenta fazer um rola no tatame como o mestre Roberto Leitão, um dos mais graduados judocas e praticantes de luta-livre do Brasil. Se ele não torcer seu calcanhar, se sinta um campeão. Aos 74 anos, Leitão vive de palestras sobre o MMA, um esporte que sempre acompanhou de perto. Mestre do lendário Marco Ruas e do campeão moral do UFC Pedro Rizzo, Leitão bate de frente com os que acham o MMA um esporte de alto risco.
Palavras de quem entende do assunto:
– O MMA não é uma violência inaudita como pensam alguns. Se fizer uma estatística, morre mais gente no judô do que no MMA. É incrível, mas é verdade. No MMA, às vezes tem sangue e isso impressiona os leigos. Mas sangue não é nada, sangue o juiz para e o médico estanca. Um ponto ou dois e em 30 dias ta de volta aos ringues, não é grave. Talvez o futebol seja mais violento do que isso.
Mestre Leitão vai além e sustenta com paixão a tese de que o MMA foi o primeiro esporte praticado pelo homem. Mais palavras do mestre:
– Um leão luta um contra o outro, o macaco também. A luta nasceu na pré-história com o próprio homem e foi o primeiro esporte do homem porque incluía a atividade física, tinha o aspecto lúdico já que existem regras e o que realmente diferencia isso de outras atividades físicas e faz disso um esporte legítimo que é o aspecto didático, a condição didática que precisa para ser de fato um esporte. A luta sempre teve isso já que nossos ancestrais já passavam de pai para filho as técnicas da luta.
E de fato Leitão está certo. De 1983 até hoje morreram mais de 100 judôcas contra quatro mortes computadas no MMA desde 1993. O último incidente fatal aconteceu no fim de semana passado em um evento amador de artes marciais mistas. Ainda este ano Rizzo luta na Rússia e Leitão estará no corner de seu discípulo. O mestre ainda tem muito a ensinar.
Fonte Por Dentro da Arena
