Por Diogo Schöpke
Realizado na noite desta sexta-feira (17), o Jungle Fight 64 foi um verdadeiro sucesso e levou um excelente público para a Arena montada na Praia do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes (RJ). No total, dez lutas levantaram a plateia, incluindo a disputa de cinturão dos moscas (57kg) ente Rayner Silva e Junior Abedi. A luta vencida pelo amazonense teve seu final contestado por parte do público.
Responsável por arbitrar o confronto, o experiente Alessandro Souza explicou sua decisão e deixou clara a sua intenção de preservar totalmente a integridade física o lutador da Relma Team.
“Eu acho que interpretei de maneira correta aquela situação. Porque na hora que ele caiu no chão e estava na guilhotina o ferimento já estava aberto. Eu aguardei um pouco, pois ele estava com o rosto no chão, quando levantou e foi para trocação eu não tinha como parar já que era uma ação contínua. A partir do momento que ele encostou na tela, eu percebi que o ferimento era grave e mais um soco poderia deixa-lo até cego. Minha principal função é preservar a integridade física do atleta, sempre vou prezar por essa questão”, disse.
(Imagem revela lesão em Junior Abedi)
Uma das maiores referências da arbitragem no Brasil, Flávio Almendra deu apoio à decisão do companheiro e afirmou que Abedi não tinha condições de seguir no combate.
“Acho que o Alessandro acertou. Eu costumo dizer que a diferença entre uma concussão cerebral e uma dor de cabeça no dia seguinte é um soco. O Abedi não tinha condições de seguir na luta, ele poderia ter uma consequência irreversível para sua carreira. A consciência do árbitro tem que estar sempre limpa.“, declarou Almendra, que ainda comentou sobre sua decisão na luta entre o mexicano Iskar Waluyo e o brasileiro Magno “Magu”. “Na hora que Magu tomou o soco do mexicano ele ‘desligou’, desceu nocauteado, mas bateu no chão e já voltou nas pernas do oponente. Teve uma recuperação muito rápida, mas como estava muito em cima do lance fui em cima para paralisar o duelo. Não tenho como voltar atrás após botar a mão no atleta. Peço desculpas, talvez minha interrupção tenha sido prematura, mas minha intenção foi preservar o atleta”.
Ratificando a posição dos árbitros do Jungle Fight, o médico que estava a serviço da organização do evento na edição 64 detalhou os procedimentos realizados no lutador após a luta. “Ele teve uma lesão de aproximadamente 5cm no supercílio direito. Eu tive de fazer uma sutura com quatro pontos que foram extremamente necessários. Foi uma decisão acertada. A pálpebra direita dele chegou a cair, então fez sentido a luta ter sido interrompida”, afirmou o Dr. Miquele Franceso.
Presidente da organização, Wallid Ismail prestou solidariedade aos seus árbitros e fez questão de frisar que é muito importante deixar os atletas “inteiros”, já que o mais importante é manter os lutadores da organização saudáveis.
“Existem pessoas que estão em casa e não veem o que realmente acontece dentro do cage. Temos que ter cuidado ao julgar, já que o atleta teve um ferimento bem sério no supercílio. O importante no Jungle é sempre preservar a integridade dos lutadores. Erros acontecem, mas eu prefiro que o erro aconteça e o atleta não tenha um problema grave do que o profissional ir até o seu limite e ter um problema mais sério. Os árbitros do evento são sempre instruídos para defender a integridade física. Esse é um esporte de guerreiros que nunca desistem e para isso servem os juízes, e eu confio muito neles”, concluiu.
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