De preocupação a orgulho da comunidade, jovem do morro da Providencia é campeão mundial de JJ

Atleta da Geração UPP conquistou o ouro no último final de semana, em Long Beach, Califórnia; antes de se dedicar às aulas de jiu-jitsu, o garoto de 16 anos preocupava a família, os vizinhos e os policiais
Foto: Divulgação

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Gabriel Monteiro, 16 anos, morador do Morro da Providência, favela localizada no Centro do Rio de Janeiro, sagrou-se campeão na faixa azul da principal competição de Jiu-Jitsu do mundo, o Mundial da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), no final de semana passado, quando superou três adversários para subir ao lugar mais alto do pódio, em Long Beach, Califórnia, EUA. Antes um “garoto problema”, que dava dor de cabeça aos familiares, vizinhos e até policiais da comunidade, hoje o jovem alundo do projeto Geração UPP só dá trabalho aos adversários do tatame.

“Eu era um menino que só vivia na rua, descalço, não sabia respeitar o próximo, viva arrumando briga na rua, xingava as pessoas. Depois que entrei no jiu-jitsu eu melhorei bastante, passei a dar mais valor às coisas, a respeitar as pessoas. Enfim, o Jiu-Jitsu e os meus mestres foram muito importante para melhorar a minha disciplina”, reconhece Gabriel, que revelou que só teve noção da dimensão de sua conquista quando retornou ao Brasil: “Antes de viajar de volta eu não tinha noção nenhuma, mas quando votei, a ficha caiu, e eu entendi o quanto esse título é importante para mim, para minha equipe e meus familiares”.
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O caminho até a medalha de ouro não foi fácil, mas mostrou ao mundo o estilo agressivo, no melhor dos sentidos, do faixa azul. Logo na estreia, contra o norte-americano Brian Austin Brown, campeão da edição anterior, Gabriel Monteiro puxou para a guarda e encaixou um armlock para finalizar. A luta seguinte, contra outro anfitrião, Ryan Iackey, também foi decidida no braço, mas através de um plástico armlock voador, considerado um dos mais bonitos do dia, e que, inclusive, arrancou aplausos do público. A final, contra o compatriota Leonardo de Oliveira, foi como era de se esperar. Depois de um combate travado e decidido na estratégia, o atleta da Geração UPP terminou com o braço levantado.
“Cheguei muito ansioso para o campeonato, mas em nenhum momento fiquei nervoso. Eu sabia o quanto esse título seria importante para mim e para toda a minha equipe. Me chamaram a atenção todas aquelas pessoas que eu nunca tinha visto e o lugar, que é bem bonito. Mas lutei como faço nos treinos e deu tudo certo”, resumiu o campeão mundial, que pisou pela primeira vez em um tatame no ano de 2011, quando foi inaugurada a primeira sala de artes marciais da Geração UPP, no recém-pacificado Morro da providência”.
De preocupação a orgulho da comunidade 
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Fruto da parceria entre a Legião da Boa Vontade, Super Rádio Brasil, Prime Esportes, Boomboxe e Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Rio de Janeiro, a Geração UPP está presente em dezenas de comunidades e, conta com aulas de Jiu-jitsu, Judô e Karatê ministradas por policiais militares graduados, entre eles Christian Ribeiro e Thiago Diorgenes, que levaram Gabriel Monteiro ao mundial. Orgulhoso pelo sucesso do trabalho desenvolvido, Ribeiro exaltou outras conquistas do pupilo, que vão além da medalha de ouro.
“O Gabriel sempre foi um garoto muito agitado, bagunceiro e dava muito trabalho nos treinos. Ele até entrou no Jiu-jitsu para melhorar nessa parte de disciplina, de postura. Ele sempre arrumou muita confusão. O pessoal ficava muito preocupado com ele na comunidade. Acreditam que, se ele não tivesse uma orientação, possivelmente ele ia arrumar algum problema grande. Os policiais da UPP, os familiares e amigos tinham muito medo do que poderia acontecer com ele”, revela o faixa preta. “Hoje a postura dele é outra, ele melhorou o comportamento, está se dedicando mais à escola, parou de matar aula e está muito disciplinado. A família dele e os vizinhos sempre vêm nos agradecer, pois reconhecem a importância do projeto na vida dele”.
Christian Ribeiro faz questão de ressaltar a importância das empresas que sustentam o projeto e ao comando da polícia, e deixou claro que, além da ajuda com os custos da manutenção das ações, os parceiros têm um papel essencial na parte intelectual da Geração UPP.
“Foram dois sonhos realizados neste primeiro semestre: a conquista do campeonato brasileiro e a do mundial. Isso só foi possível graças aos nossos parceiros, LBV, Super Rádio Brasil, Prime Esportes, Boomboxe, Porto Novo. Eles estão com a gente desde o início, em 2011, sempre acreditaram. Sem esse grupo a gente não teria conseguido viajar para o brasileiro, em São Paulo, e muito menos para o mundial, nos Estados Unidos. Eles sempre nos apoiam, não apenas na parte de logística, comercial, mas também na parte de relacionamento. O pessoal da LBV sempre orientam nossos atletas antes e depois das competições, e nós, professores, dando sempre ideia de como contornar algumas situações”, explicou. “Essa conquista é a prova de que, investindo nas crianças, elas chegam lá, não apenas nas artes marciais, mas também em outros esportes, na música, medicina, seja o que for”.

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