ARBITRAGEM NO MMA: OS DESAFIOS DO TERCEIRO LUTADOR NO OCTAGON

O paulista Júlio Catarino concedeu uma entrevista ao portal da Forth Media parceiro da Psicóticos por VT e gentilmente cedida ao nosso site. Considerado um dos melhores árbitros do MMA nacional, Catarino iniciou sua carreira em 2013 e desde então vem tendo o seu trabalho reconhecido, o que o faz figurar nos maiores eventos da modalidade no país.

O árbitro central do WOCS, Thunder Fight e Batalha MMA falou um pouco sobre seu início de carreira, os desafios da arbitragem no Brasil e a sua visão sobre o cenário atual do MMA nacional.

Confira!

Seminário Arbitragem Big John McCarthy ,Julio Catarino e Mario Yamasaki. ( Foto: arquivo Pessoal )

Primeiramente, obrigado por aceitar o convite! É muito bom tê-lo conosco!

Eu que agradeço! Muito obrigado pela oportunidade!

Para começar, nos conte quando foi o seu início na arbitragem e quando você percebeu que era isso que você queria fazer.

Fiz minha primeira arbitragem em setembro de 2013, no MMA amador, em um evento chamado Revela Fighter MMA. Era um evento pequeno, bem simples, na minha cidade. Essa oportunidade apareceu em um dia que estava treinando Jiu-Jitsu na academia e o mestre Nildão chegou e começou a falar sobre o seu evento, o Revela Fighter. Ele estava convidando alguns atletas da academia para lutar e, no meio da conversa, falou: “Nossa, fechei todas as lutas e só agora lembrei que não tenho ninguém para arbitrar no evento”. Na mesma hora respondi: “Eu vou, mestre!”, e ele concordou ali mesmo! Disse que estava fechado e contava comigo. Só quando cheguei em casa que a ficha caiu. Fiquei pensando “Caraca, e agora? Nunca subi em um cage, só assisto MMA pela TV e pouco sei as regras!”. Mas como já tinha dado minha palavra ao mestre, eu precisava ir. Então, pesquisei na Internet sobre regras de MMA, dei uma lida e pensei: “Seja o que Deus quiser!”. E graças a Deus, correu tudo bem! Fui bem, não cometi nenhum erro que pudesse prejudicar os atletas. Quando acabou o evento, estava muito feliz e vi que era aquilo que eu queria para minha vida. Depois desse dia, fui em busca de formação como árbitro central de MMA. Fiz cursos de árbitro central e juíz lateral com o mestre Mário Yamasaki, uma clínica de regras com o “Big” John McCarthy, e sempre que tem algum curso novo de reciclagem, eu também faço, pois tenho que me manter atualizado sempre.

Sabemos que, para se tornar árbitro de MMA, o profissional precisa ser praticante de lutas. Quais artes marciais você pratica e qual graduação possui nelas?

É muito importante que o árbitro de MMA seja graduado em alguma arte marcial, pois isso lhe traz uma certa segurança durante a luta. Ele consegue reconhecer qual tipo de golpe está sendo aplicado na luta, enxerga onde a luta está e para onde ela pode ir. Quanto à graduação, sou faixa marrom de Jiu-Jitsu pela equipe Tomyiama. E nos últimos dois anos foquei bastante no Kickboxing, o que me ajudou muito nas arbitragens, pois passei a ter uma leitura melhor das lutas na parte em pé.

Muitos atletas falam sobre como eles se sentem nos momentos que antecedem suas lutas. A grande maioria se diz extremamente ansiosa, nervosa, não vendo a hora do cage fechar. O mesmo acontece com o árbitro? Também bate esse nervosismo?
Eu sou um pouco ansioso. Na semana do evento eu já procuro o card com as lutas, procuro saber quem são os lutadores e as lutas principais, tentando me manter informado sobre o evento. E o frio na barriga sempre dá, não tem jeito. Mas vejo isso pelo lado positivo, pois ajuda a me manter focado nos combates.

E fora do cage? Você costuma manter uma boa relação com os atletas? Possui amigos lutadores?

Não tenho nenhum amigo lutador. Conheço vários, mas não tenho vínculo de amizade. Penso que, como árbitro, tenho que ser imparcial. No caso, se tivesse algum lutador muito amigo meu, penso que eu não deveria arbitrar uma luta dele.

Com a popularização do MMA e os fãs tendo maior conhecimento sobre as regras do esporte de modo geral, a cobrança sobre o trabalho dos árbitros tem se tornado vez maior. Como você lida com essa pressão?

Acho essa pressão muito importante. Tanto os fãs de MMA quanto os árbitros, treinadores e lutadores têm que saber as regras do esporte. O MMA é a modalidade que mais cresce no mundo e as regras estão sempre sendo atualizadas para a melhoria do esporte. Vejo essa pressão com bons olhos e isso me faz querer estudar cada vez mais.

Foto: Flashsport

Apesar do Brasil ser uma enorme potência no MMA, ainda temos poucos árbitros brasileiros nos maiores eventos de MMA do mundo. O que é necessário para que mais árbitros do país passem a figurar em eventos como Bellator e UFC?

O Brasil, além de ser um grande celeiro de lutadores, também tem árbitros muito bons e competentes. Eu mesmo me espelho em vários: Mário Yamasaki, Osíris Maia, Eduardo Herdy. São árbitros que estão em um nível de arbitragem altíssimo. Hoje eles trabalham nos maiores eventos de MMA do mundo. Acredito que se eu seguir os passos dessas feras, com estudo, determinação, humildade e muita fé em Deus, um dia consigo realizar meu sonho que também é trabalhar nesses eventos.

Sabemos que o MMA ainda carece de incentivos, como patrocínios, por exemplo, e que os árbitros brasileiros não vivem apenas de arbitrar eventos. Qual sua outra ocupação?

Fora a arbitragem, trabalho no restaurante da minha família. Chama-se Costelaria Restaurante e somos especializados em costela no bafo. Lá faço um pouquinho de tudo, sou o verdadeiro “coringa” (risos).

 

E qual a sua perspectiva do mercado do MMA de modo geral nos próximos anos? Você enxerga o esporte melhorando neste aspecto? Investimento maior da parte das empresas, melhor remuneração dos profissionais…

Minha expectativa é que o Brasil melhore economicamente e com isso as empresas voltem a patrocinar atletas e eventos. Existiam muitos eventos bons que, por falta de patrocínio, não conseguiram continuar seus trabalhos. Espero que os eventos passem a ter mais patrocínios de empresas privadas e também consigam parcerias com prefeituras e governo dos estados. É isso que vai melhorar os eventos e também a remuneração de todos os profissionais envolvidos.

Júlio, MUITO OBRIGADO pela sua entrevista! Foi um prazer tê-lo conosco e poder mostrar ao público um pouco de como é a vida de um árbitro de MMA.

Muito obrigado, Forth Media! Foi uma honra muito grande ser entrevistado por vocês. Muito obrigado pelo convite, fiquei muito feliz! Que Deus abençoe a todos! Oss!

Anúncios

Obrigado pela sua opinião !

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s