Entrevista com Márcio Laselva, brasileiro, principal arbitro da Comissão do Kansas

Tivemos a honra através da lenda do nosso esporte, Xicão Jolly, maior nome do nosso esporte na categoria announcer, receber uma entrevista com o brasileiro Márcio Laselva. Morando a 15 anos nos USA, Laselva  é arbitro principal da Comissão do Kansas, nível preta de BJJ da academia em Wichita- KC-USA.

By Xicao Joly

  • Vamos lá, nome, apelido, casado, esposa, filhos, tempo que está nos USA, de onde veio, como veio e agora cidadão americano…..
    Marcio Laselva, casado com Elizabeth Laselva, morando em Kansas, mais especificamente em Derby desde 2005, nascido em Osasco, criado em Indaiatuba-SP, hoje cidadão Americano, formado em Administração de Empresas e piloto privado de aeronaves.
  • Como foi está mudança, largar o país, deixar sua escola deixou    ou manteve sua escola ?  

 Eu tinha uma academia em Indaiatuba por 5 anos e com a oferta de trabalho e um divórcio ao mesmo tempo vendi minha academia e me mudei.

  • Qual sua graduação, modalidades,  desde quando e seu mestres ?   

Sou faixa preta 4o grau do professor Roberto Tozi da equipe G13, treinando desde 1996, faixa preta desde 2004.

  • Começou a competir com que idade, já formou algum faixa preta, quantos e quando ?

 Comecei tarde no BJJ aos 25 anos,  e competir já no 1o ano, hoje tenho 11 faixas pretas formados todos aqui na America.

  • Como surgiu a oportunidade/idéia para se estabelecer nos USA   como foi o começo , aceitação, questão de se adaptar a uma nova cultura, cidade, parte financeira ?.

 A oportunidade veio através de um amigo americano que eu tive uma chance de trabalho aqui para dar aulas de jiu-jitsu numa academia que queria introduzir uma aula nova.

Ali trabalhei por 2 anos, sai do Brasil literalmente quebrado financeiramente, meu amigo Marcos Marcelino me emprestou duas folhas de cheque que troquei com um agiota para arrumar grana para sair, paguei com o dinheiro ganho aqui.

Ao chegar fui apresentado ao dono da academia que me arrumou um quarto na casa de uma menina que trabalhava pra ele onde morei por um tempo, me arrumaram uma bicicleta e assim me locomovia da academia pra casa.

Eu ja havia morado em Nova York quando eu tinha 19 anos e já conhecia a cultura.Na verdade eu sempre soube que um dia iria morar aqui e já falava inglês e por isso foi um pouco mais fácil a adaptação.

  • Como você trabalhou com está situação de estar chegando ?  Que tipo de tática para captar alunos e fazer o nome ?

Ao chegar eu tive que me impor quanto a maneira de ensinar o jiu-jitsu tradicional de kimono pois,  os alunos que começaram só queriam treinar sem kimono por que  o wrestling é muito grande aqui e eles não gostavam do uniforme então o jeito foi impor mesmo, se quiser treinar jiu jitsu tem que por o kimono e pronto.

 

 

  • Como são vistas e como funcionam as academias na sua cidade ? A procura maior está nas modalidades que oferece ou na sua experiência e nome ?

Academia aqui é uma coisa diferenciada, tem muito clube que oferece tudo que você imaginar.Tem os mais focados em um esporte como o MMA onde eu faço parte ensinado o BJJ, Kickboxing e Wrestling para poder se tornar um lutador mais completo.O maior ganho esta sem duvidas no fitness.

 

  • Atletas profissionais buscam por modalidade, bandeira ou treino de evolução ?
  • Os lutadores profissionais buscam treinos com instrutores mais experientes, muitas vezes em varias academias.

 

  • Existe a famosa “trairagem” ai também ?
    Trairagem pelo jeito tem em todo lugar, aqui parece ate pior que no Brasil, o povo aqui não tem problema nem um em treinar em outra academia ao mesmo tempo, inclusive foi esse um dos meus problemas aqui pois como eu sempre ouvi falar ou você é’ Vasco ou é Flamengo e eu não concordava com essa mentalidade.
    Isso me custou muitos alunos, as outras academias aqui todos foram meus alunos e hoje são de competição.

 

  • Como você vê a deslealdade no “mundo das lutas” hoje com relação aqueles que nos formam e a quem devemos respeito ? Isso lógico baseado na cultura adquirida.

Eu hoje vejo com olhos diferentes pois acabei me tornando mais frio por causa da cultura deles e,  até entendo o que eles querem fazer pulando de “galho em galho”  para aprender aqui e ali mas com isso acabo não me aproximando do aluno. Não existe aquele relacionamento que a gente foi criado,  admirando o professor e assim quando  eles se vão agente não sofre.

 

  • Como funciona sua relação com outras escolas, bandeiras e centros de treinamentos ? Hoje até quem não tem graduação abre academias (lógico não existe proibição) mas como você vê está situação ?

Por causa da minha postura inicial eu não me tornei o “queridinho”  entre as escolas e até me sinto meio desrespeitado por ser o faixa preta mais graduado do estado de Kansas mas,  eles todos me respeitam pois eu fui crucial para o desenvolvimento do esporte aqui onde moro, sou conhecido em todos os eventos onde vou com meus alunos e também por ser árbitro central.
Todo lutador de qualquer academia acaba me vendo ou lutando comigo ali junto. Infelizmente o profissional não necessariamente esta capacitado aqui neste ramo para ter sua própria academia mas,  assim mesmo ele abre e tenta e….. ate alguns conseguem se manter cobrando muito menos que os verdadeiros profissionais.

 

 

  • Quem são os atletas que você já lançou no mundo das lutas e quais os famosos que trabalhou ?

Hoje meu maior lutador que formei faixa preta de jiu-jitsu e tambem nível preta kickboxing (formado pelo meu amigo professor Renato Nato) chamasse Jeimeson Saudino, ele é o atual Campeão da cat. 125lbs do evento X.F.N. de Oklahoma, também abri portas para o lutador Johnny Marigo e alguns outros.

 

  • Trouxe, deu oportunidade a alguém que veio do Brasil ? Como ? Quem ? Valeu a pena ?

 Jei Saudino:  um cara, leal, honesto e trabalhador, batalha  duro todo dia para ser quem é hoje.

  • Você atleta, o que lutou e onde ? Profissional ?

Para provar que eu era capaz de ensinar,  eu decidi lutar MMA pois algumas vezes me perguntaram se eu já havia lutado MMA, então fiz duas lutas aqui onde ganhei as duas por finalização, infelizmente não lutei mais. Mas foi muito bom.

Jiu Jitsu eu ainda luto, fui campeão brasileiro no peso e no absoluto (faixa marron) e aqui nos USA  meus maiores títulos foram   vice campeão Pan americano e Campeão americano.

 

  • Como é sua relação com produtores de eventos nos USA ?

 Eu tenho relacionamento  muito bom com os promotores de eventos,  especialmente aqui no meio-oeste onde vivo pois estou bem conhecido devido a arbitragem e as campeonatos de jiu jitsu onde levo meus alunos

  • Hoje árbitro da Comissão do Kansas como foi  ?  Sendo brasileiro como é visto nesta “função” ? Tem a credibilidade necessária ou cada caso é um caso ?

Comecei na comissão atlética em 2012 pois havia uma falha na arbitragem, o conhecimento do chao era precario e decidi que me envolver era necessario para ajudar no crescimento do esporte e assim comecei e em seguida em 2013 passei a arbitrar.

Hoje as coisas estão mais solidificadas, provei meu valor e honestidade ali dentro mas,  por muitas vezes não pude arbitrar pois havia um aluno meu no card e o comissário me tirava totalmente da árbitragem para não gerar “controversia”, isso hoje mudou totalmente, não importa se o meu aluno  esta ali,  eu continuo no card apenas eu peço para não arbitrar a luta dele, mas por outro lado quando tenho uma lutadora brasileira no Invicta por exemplo eu sou hoje preferido por falar português e isso já ajudou muito a comissão atlética, os médicos e o próprio atleta.
Já aconteceram lutas  inclusive que eu arbitrei e ali mesmo após a luta eu fui o interprete da lutadora.

 

  • A moral e história de arbitragem no Brasil tem algum fator que venha a influenciar a chegada de árbitros brasileiros nestas comissões ?

Honestamente, acho que não, eu acho que fiz o que teria que ser feito pelo desenvolvimento do esporte, e isso vem com desenvolvimento do artista marcial de agir e fazer a coisa certa.

 

Quais árbitros no Brasil  teriam chance nas comissões americanas ?
Eduardo Mello com certeza, eu quando ele quiser farei o possível para ajudá-lo a arbitrar aqui.

 

  • O que falta, e quais os erros na arbitragem brasileira ?

Prefiro comentar em:  como  evoluir na arbitragem. O árbitro não é o centro das atenções e,  o aprendizado tem que ser contínuo.
Quando possível participar de intercâmbios e cursos ministrados em especial por Big John McCarthy e Rob Hinds são extremamente necessários e obviamente: falar inglês.

 

  • No Brasil lutador perde na decisão e “questiona” o árbitro central situação que sabemos depende dos juízes laterais, como funciona isso nos USA e você o que nos conta sobre isso ?

Aqui lutador perde e entra com um pedido de revisão da luta e das papeletas dos juízes para que talvez algo seja feito. Eu não resolvo nada quanto à isso, meu trabalho é proteger a integridade do lutador e impor as regras,  quem decide é o comissário do evento …..se a luta for parada por alguma irregularidade por parte do lutador eu digo o que houve ali dentro.

 

  • Estando em outro país precisa trabalhar com as “forças” contrárias e o ego de alguns ?  Qual a maior  dificuldade ?

Muito, infelizmente esse esporte MMA tem muito ego envolvido e muita pressão de mídia e aquele “desespero” de se tornar famoso e rico através da luta…. então agente vê muito isso sim, bastante comum.

  • Como é seu contato com brasileiros que atuam no mesmo segmento que o seu ?

 Eu na arbitragem aqui não tenho muito contato pois,  vivo no centro do pais e a maioria dos brasileiros que vivem aqui querem praia e aqui não tem isso,

 

  • Os brasileiros oportunistas e mal intencionados de plantão fazem com que quem está a mais tempo no mercado pague o preço e tentam se aproveitar , como você trabalha com esta situação ?

Oportunista eu acho que tem em todo lugar, aqui eu infelizmente me deparei com alguns mas,  Deus desvia esse elemento e agente continua em frente.

 

  • Hoje através de uma “nova geração do MMA” no Brasil muitos não conhecem o pessoal da antiga, que guardam aquela famosa caixa preta” – que só nós sabemos o que tem dentro e o que se passou  e que tem história -, está situação pode ser prejudicial ao trabalho que vem de tempo aqui no Brasil  ? E ai fora ?  
  • Lealdade é uma coisa que esta em falta no mercado e, memória curta é o que mais se encontra. Essa nova geracão de lutadores me parece que esta indo…. nesta direção e o resultado será feio: tanto ai no Brasil, quanto aqui nos USA.

 

          Deixe seu recado, dicas para os novos, os sérios e os picaretas rsrrsrs  e agradecimentos lógico.
Meu recado hoje vai para que tem um sonho:  Tudo é possível se você tiver Jesus no seu coração e se você se dedicar muito e sem medo do fracasso pois,  todos nós caímos  mas,  somente alguns se levantam e prosseguem ate chegar ao destino.

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